O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), apesar de ser a principal referência para investimentos no Brasil, não é um ativo livre de risco, conforme afirmou Artur Wichmann, CIO da XP, em conversa com jornalistas na última segunda-feira (8). Ele explicou que a função de um ativo livre de risco é proteger o investidor em situações extremas, o que, segundo ele, não se aplica ao CDI.
Wichmann exemplificou que o CDI não protegeu os investidores durante a pandemia de Covid-19, período em que a Selic caiu para 2% e a inflação disparou, resultando em retornos negativos para a renda fixa. Naquela ocasião, foram os ativos reais que ofereceram proteção, demonstrando que a diversificação é a verdadeira salvaguarda contra choques econômicos.
Em uma análise sobre 2025, o CIO da XP destacou a fraqueza do dólar como uma surpresa, atribuindo-a, em parte, a preocupações com a integridade institucional do banco central americano e a possíveis interferências políticas. Para 2026, a expectativa geral é de que o Federal Reserve inicie cortes nas taxas de juros, embora o cenário global apresente desequilíbrios fiscais persistentes.
No âmbito doméstico, Wichmann mencionou que a XP continua atenta à possibilidade de maior volatilidade devido ao ciclo eleitoral. Ele aconselhou os investidores a manterem o foco, a terem cautela com informações falsas sobre eleições e a direção do câmbio, e a demonstrarem paciência.
O CIO ressaltou a oportunidade de investimento rara no mundo que o Brasil oferece, com uma taxa de juro real expressiva de 7%. Essa condição permite que um título como a NTN-B (título de inflação) dobre o capital do investidor em termos reais a cada nove anos.


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