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  • Produção de minerais estratégicos do Brasil cai desde 2017, diz estudo.

    Produção de minerais estratégicos do Brasil cai desde 2017, diz estudo.

    Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em cooperação com a Agência Nacional de Mineração (ANM), revela que o Brasil, apesar de deter vastas reservas de minerais estratégicos essenciais para a transição energética, como grafita, terras raras, manganês e níquel, tem reduzido sua produção desde 2017. Essa queda na produção, em contraste com o crescimento global acelerado impulsionado pela demanda por tecnologias de baixa emissão de carbono, como carros elétricos e energias renováveis, coloca o país em risco de ficar à margem da nova geopolítica energética.

    Os números evidenciam a disparidade entre o potencial brasileiro e a realidade produtiva. O país possui reservas significativas de grafita, terras raras, manganês e bauxita, comparáveis às dos principais produtores mundiais. No entanto, a produção nacional de grafita, por exemplo, despencou em média 8,4% ao ano, enquanto o mercado global avançou 10% anualmente. O mesmo ocorre com o manganês e as terras raras, onde a retração brasileira contrasta fortemente com o crescimento mundial.

    A análise destaca que países como Moçambique e Madagascar aumentaram drasticamente sua produção de grafita, enquanto o Brasil reduziu a oferta de bauxita. Essa dinâmica é explicada pela crescente dependência de minerais específicos para a nova matriz energética. Um veículo elétrico demanda mais de 200 kg desses materiais, enquanto turbinas eólicas e painéis solares exigem toneladas por megawatt instalado. A China, antecipando essa tendência, consolidou sua hegemonia na extração, refino e processamento, controlando a maior parte da cadeia produtiva global de minerais críticos e baterias.

    O estudo aponta que o Brasil se encontra em uma posição de vulnerabilidade, atuando como exportador de minérios brutos de baixo valor agregado e importador de equipamentos verdes. A exceção recente é o lítio, cuja produção brasileira cresceu significativamente, mas ainda é insuficiente para integrar a cadeia global de baterias. Rafael da Silveira Soares Leão, um dos autores, ressalta que a falta de investimentos em exploração, pesquisa geológica e capacidade industrial, somada a entraves logísticos, ambientais e regulatórios, impede a conversão do potencial geológico em produção relevante.

    Diante da rápida transição energética e da concentração de cadeias produtivas, o estudo enfatiza a urgência de o Brasil agir imediatamente para transformar suas reservas em oportunidades. Isso requer a redução de incertezas regulatórias, o aumento de investimentos em prospecção, o fortalecimento da fiscalização ambiental, a modernização da infraestrutura logística e o fomento à indústria de transformação mineral. Caso contrário, o país corre o risco de repetir o papel do século XX como mero exportador de recursos primários e importador de tecnologia.